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Paul Preston

Paul Preston

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06/06/2005

História

"Quem não conhece a história está condenado a repetir seus erros", Paul Preston

Universia entrevistou ao hispanista Paul Preston, quem estes dias se encontra em Espanha com motivo da inauguração da Colônia de férias da Universidade Complutense de Madri. A seguir resumimos os melhores momentos do encontro.

Paul Preston é um dos mais insignes hispanistas procedentes de Inglaterra, uma saga que inclui nomes tão ilustres como Gerald Brenan ou Hugh Thomas, seu professor, com quem colaborou durante um tempo. Preston aprendeu espanhol, segundo os linguistas da pior maneira que se pode fazer: "Esgotei a bibliografia em inglês, - assegurou -, e decidi que tinha que aprender espanhol. Abri um livro de História e com a ajuda de um dicionário fui lendo. Custou-me três semanas terminá-lo, mas adquiri bastante vocabulário como para defender-me. Entre isto, e as conversas com um casal de amigos colombianos aprendi espanhol".

Situação atual das carreiras de Humanidades

UNIVERSIA: As cifras de matrículas nas carreiras de humanidades diminuem progressivamente. Como motivaria a um jovem para que estudasse uma disciplina como História?

PAUL PRESTON: Existem várias razões pelas que estudar História é muito enriquecedor. Em primeiro lugar como diz o provérbio "Quem não conhece sua história está condenado a repetir seus erros". Para entender a sociedade atual, é necessário conhecer a história de teu próprio país, Espanha, e a de teu continente, Europa. Ademais, o estudo desta disciplina contribui ao historiador, um método de análise fundamental.

Preston mistura rigor e amenidad em suas respostas, e deste modo comenta a influência dos sistemas de educação à hora de eleger uma carreira. "Frente aos métodos que fomentam a memorização" comenta - existem outros sistemas como o anglo-saxão no que a História não é tanto assimilar uma linha de pensamento estabelecida e digerida, senão que consiste em aprender a pensar e a analisar. Desde pequenos na escolas ensinamos aos garotos a que construam sua própria leitura dos fatos".

"Uma história bem narrada é uma delícia"

Preston possui um dom especial: a arte de acercar suas investigações às pessoas, de saber interessá-las por sua própria história, de conciliar amenidad e rigor ."Os estudantes têm que descobrir o prazer de contar histórias. A todos nos agradam os contos". "Uma história bem narrada é uma delícia." Com o passo do tempo - assegura Preston - aprendi que o rigor e a disciplina da História não têm por que refletir-se em monólogos aborrecedores".

Paixão por Espanha

UNIVERSIA: Onde reside sua paixão pela história de Espanha?

PAUL PRESTON: Durante minha infância vivi rodeado de referências à II Guerra Mundial (comics, películas, música...). Pela Guerra se perderam muitas vidas, conheci a pessoas que lutaram na frente de batalha, minha família estava obsedada com o tema e por isso quando cheguei à Universidade de Oxford, o aspecto que mais me interessou pesquisar foi a origem da II Guerra Mundial.

Ao começar meus estudos me percaté a História Contemporânea estava considerada como algo perigoso. Mas, ao terminar a carreira realizei um master na Universidade de Reading sobre a História de Europa dos anos 30, que me levou a acercar-me em profundidade à Guerra Civil Espanhola.

Minhas dúvidas sobre para onde orientar minhas investigações se viram resolvidas porque a Guerra Civil me apasionó. Resultou ser um compêndio de temas: Stanlin, Hitler, Troski, o liberalismo, o comunismo, armamentos, atrocidades...

O Século XX Espanhol: constantes desafios ao sistema

UNIVERSIA: Como resumiria o século XX Espanha?

PAUL PRESTON: A História de Espanha desde princípios do século XIX até agora foi uma série de tentativas de modernizar o país que supuseram desafios ao sistema de poder dominante em cada momento, do poder social, econômico, político. A estes desafios lhes seguiram períodos de reação para sufocá-los e tentar atrasar o relógio da História.

Do ano 1917 ao 23 há movimentos progressistas e revolucionários achatados pela Ditadura de Primo de Rivera, depois no final dos 20 e princípios dos 30 outro impulso de modernização foi a II República. Durante o último período de reação, a Ditadura de Franco, há umas mudanças sociológicas e econômicas que propiciam um grande movimento popular que desemboca na liberalização e democratização propiciado pelo contexto europeu de prosperidade e avanço econômico.

UNIVERSIA: Como tivesse sido Espanha sem Franco?

PAUL PRESTON: Ainda que sou alérgico às contrafactuales e aos futuribles, vou tentar responder ajustando-me a dois possíveis palcos. Por exemplo, suponhamos Franco morre em lugar do General Sanjurjo no acidente de avião, pois, é muito possível que os Nacionais não tivessem ganhado a guerra.

Mas Franco só tivesse perdido esta contenda se a política exterior britânica tivesse dado um giro em sua orientação.

Ainda que há muitos fatores, como a ajuda de Hitler e Mussolinni, os britânicos foram a clave que propiciou a vitória de Franco. Nesses momentos os ingleses gozavam da hegemonia das relações internacionais, e por sua simpatia ideológica apoiaram a Franco frente aos movimentos da esquerda espanhola. Grã-Bretanha deixa primar sua simpatia ideológica sobre seus interesses estratégicos já que desde um ponto de vista lógico e racional, os ingleses teriam evitado a existência de três estados fascistas nas fronteiras de França.

Uma mudança na atitude britânica tivesse evitado a II Guerra Mundial. O mundo tivesse sido muito diferente.

Arquivo sobre a Guerra Civil

UNIVERSIA: Está-se voltando a insistir muito no tema dos documentos do Arquivo de Salamanca, para devolvê-los a Cataluña Que opina você do tema, vê-o justo, seria bom para os historiadores?

PAUL PRESTON: Minha posição é conforme com o ditame que emitiu a comissão que nomeou o Governo argumentando a devolução da documentação a Cataluña mas, há que o fazer deixando cópia em Salamanca para não afetar a unidade nem a integridade do arquivo salmantino.

Estou a favor de canalizar as matérias históricas que surjam para Salamanca para que se constitua um arquivo completo sobre a Guerra Civil Espanhola.

Um rei para todos os espanhóis

UNIVERSIA: Você comentou que o rei Juan Carlos aglutinou em torno de sua pessoa a vontade e simpatias dos espanhóis. Como valoriza a situação da Monarquia em Espanha?

PAUL PRESTON: Trata-se de uma instituição medieval que, com a presença do rei Juan Carlos, converteu-se numa monarquia constitucional. Don Juan Carlos exerceu muito bem sua função e criando uma Chefatura de Estado neutral. Com a presença um Príncipe Felipe, inteligente, competente, sensato e bem preparado, a continuidade da monarquia espanhola está garantida.

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